sexta-feira, 12 de março de 2010

News from Brazil: Cartoonist and son are shot dead

Glauco Villas Boas, a well-known cartoonist in Brazil, was shot dead today in his house, in Osasco, a city near São Paulo. His 25-year-old son, Raoni, was also shot dead. According to police, three men broke in the family's house during the first hours of the morning. Glauco's wife and two of his daughters have witnessed the murders. Glauco, who created memorable characters as Geraldão, Doy Jorge and Dona Marta, was also a religious leader from a doctrine based on the psychedelic drink called ayahuasca.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Passaporte irlandês, o melhor amigo dos espiões

Em 2006 passei férias na Colômbia e lá alguém me disse para ter cuidado que o passaporte brasileiro era muito cobiçado por criminosos interessados em forjar identidade, pois nosotros brasileños não temos um traço físico característico. Me lembrei disso no fim de semana quando li matéria do Irish Times sobre a popularidade do passaporte irlandês entre espiões e demais interessados em viajar sob disfarce ou, digamos, proteção.
O uso de passaportes irlandeses na execução de um membro do Hamas em Dubai pode ter sido surpresa, mas o documento sempre foi popular, escreve Tom Clonan

Como documento de viagem – falsificado ou não – passaportes irlandeses são altamente apreciados por grande e variado número de grupos e indivíduos. Acredita-se que o coronel Olivier North tenha viajado ao Irã com um passaporte irlandês forjado em 1986, durante o caso Irã-Contras.

É de amplo conhecimento dos círculos de inteligência e segurança que passaportes irlandeses falsificados têm sido usados tanto por agentes da CIA quanto do Mossad em viagens pelo Oriente Médio e a África. Aproveitando-se da reputação da Irlanda de país neutro com pouca ou nenhuma bagagem colonialista, agências internacionais de segurança, acredita-se, têm em inúmeras ocasiões empregado passaportes irlandeses falsificados como disfarce para espiões e agentes em trânsito por territórios hostis a países poderosos como Estados Unidos e Reino Unido.

Sabe-se também que organizações terroristas internacionais já usaram passaportes irlandeses falsificados no passado. Acredita-se que membros do Provisional IRA usaram passaportes forjados durante os anos 70 e 80 em viagens à Líbia e a outros lugares do Oriente Médio para comprar armas e explosivos durante os Troubles. Mais recentemente, como ministro da Justiça, Michael McDowell alegou que membros da Colombia Three viajaram para a América do Sul com passaportes falsificados.

Passaportes irlandeses genuínos e legitimamente usados são motivo de inveja entre jornalistas internacionais fazendo coberturas em ambientes hostis tais como Iraque e Afeganistão. Os correspondentes internacionais Patrick Cockburn, do londrino Independent, Maggie O'Kane, do The Guardian, e Orla Guerin, da BBC, fazem coberturas em áreas de guerra viajando com seus passaportes irlandeses.

Cockburn cita que em pelo menos uma ocasião no Iraque o passaporte irlandês provavelmente salvou a sua vida. Ele apresentou o documento ao ser tirado do seu carro por insurgentes armados na periferia de Fallujah em 2004 e foi liberado sem lesões. (...)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O português brasileiro visto de fora

Um livrinho com dicas sobre o português do Brasil foi oferecido como brinde na edição de quinta-feira passada do jornal inglês The Guardian. Fez parte de uma série com outras seis línguas: japonês, árabe, mandarim, hindu, russo e espanhol da América Latina, todas consideradas importantes para o século 21. Além de dicas e frases feitas, cada livrinho contou com um texto introdutório, que no caso do português brasileiro foi escrito por Alex Bellos, ex-correspondente do jornal no país e autor do livro Futebol: The Brazilian Way of Life. Achei o texto do Alex interessante e fiz uma traduçãozinha:
Os Estados Unidos são frequentemente acusados de deterioração da língua inglesa. Uma acusação de tal tipo nunca é feita ao seu vizinho latino-americano Brasil, que tem apenas melhorado a língua materna, o português.

Primeiro, a pronúncia. O Brasil deu ao mundo a bossa nova, um melodioso, sensual estilo de música que poderia apenas ter sido inventado numa língua tão melodiosa e sensual quanto. As consoantes são todas suavizadas, soam como ondas quebrando na praia; a entonação é sincopada e sedutora. Já foi dito que o português brasileiro soa como "Sean Connery falando italiano"; isso é verdade, mas apenas quando ele está de sunga.

A cultura brasileira lapidou o português à sua própria imagem, introduzindo informalidade, calor e inclusão que, pelo que eu saiba, não existem em nenhuma outra língua. Todos são conhecidos pelo primeiro nome, até o presidente. Na verdade, ele é conhecido pelo apelido, Lula. Assim como muitos outros brasileiros, tais como Pelé, Robinho e Kaká. Falar português faz você se sentir instantaneamente entre amigos.

O Brasil é um dos maiores cadinhos de cultura do mundo, consistindo principalmente de europeus, africanos e indígenas, além de razoável quantidade de japoneses. O português brasileiro não é caprichoso sobre incluir palavras de outras línguas em seu próprio vocabulário. É uma língua internacional, sem preconceitos. Ainda assim, nenhuma tentativa é feita para se pronunciar corretamente palavras estrangeiras; as regras locais, como a de suavizar as consonantes, sempre prevalecem. Assim, "rush hour" é hora do rush – se pronuncia "hush [silêncio]", o que, penso eu, é particularmente apropriado – e a palavra para billboard é "outdoor", pronunciada ouch-door.

No começo, o português parece difícil, principalmente por causa da pronúncia e entonação inesperadas. Ainda assim, há regras bastante claras que uma vez dominadas tornam a língua não mais difícil de aprender que o espanhol e o francês. Verdade que a gramática e a ortografia são mais complicadas que as francesas ou espanholas (há colunas semanais sobre gramática nos jornais, e novas regras ortográficas foram anunciadas no ano passado), mas a maioria das pessoas comete erros de linguagem e ninguém dá bola. Do que mais gostei ao aprender o português brasileiro é que a língua falada é mais importante que a escrita, em parte porque um grande número de pessoas são efetivamente analfabetas e, sendo assim, prevalece a comunicação oral e a tradição de contar histórias. (Se algo é escrito não significa que seja mais verdadeiro ou confiável, como nós estamos inclinados a pensar na Europa.) O que é verdade e o que não é verdade é bastante fluido.

Mas meu favorito aspecto do português brasileiro, e um importante passo para se tornar fluente, foi compreender o fundamental papel dos sufixos -inho e -ão, que significam 'pequeno' e 'grande'. Nunca deixe de usar esses sufixos. O diminutivo -inho pode indicar amor, intimidade, beleza, irrelevância e afeto, enquanto o aumentativo -ão pode indicar medo, feiúra ou espanto. Um brasileiro de verdade iria achar difícil dizer uma sentença sem incluir um -inho ou um -ão, ou seja, as conversas tendem a ser cheias de paixão e exagero, humor e cor. O país é uma terra de extremos em muitas coisas (em termos geográficos e de riqueza, por exemplo) – e a língua encoraja os habitantes a falar em extremos.

Mais do que requerer extenso vocabulário, o português brasileiro é ricamente idiomático e também versátil graças à criatividade. Acima de tudo, essa é uma língua cuja maior contribuição para o vernáculo internacional é o grito de "goooooooooooool".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Juiz durão aluga imóvel para loja de drogas legalizadas

Um juiz famoso por não mostrar clemência em casos relacionados com drogas disse desconhecer que alugou um imóvel para uma headshop, como é chamada a loja que vende drogas legalizadas.

(...) Ontem [quarta-feira, 3], o juiz [John Coughlan] fez um "acordo" com o dono da loja Happy Daze [atordoamento feliz, na tradução direta] em Naas, Kildare, e o negócio vai mudar de endereço.

(...) O juiz disse que acreditava que o imóvel, onde antes funcionava seu escritório, era um centro de medicina alternativa. Happy Daze, localizada em frente à corte de Justiça de Naas, vende cigarros de ervas e diversas parafernálias e outras substâncias que imitam o efeito de drogas ilegais.
(...) O juiz contou a um jornal local que havia pedido informações sobre loja à polícia, que lhe respondeu que o negócio era perfeitamente legal.
[Há uma polêmica sobre as headshops no momento. A ministra da Saúde Mary Harney quer mudar a legislação para que uma série de substâncias à venda nas headshops sejam banidas a partir de junho. Medidas similares foram introduzidas no Reino Unido.]
(...) Lojas como a Happy Daze tem sido alvo de reclamações, mas elas estão funcionando dentro da lei, disse um representante da polícia.

(...) No condado de Clare, o HSE [o serviço de saúde irlandês] chamou diretores de escolas para um reunião especial na próxima terça-feira em resposta à crescente preocupação sobre o número de headshops. A reunião foi convocada depois que um psiquiatra local, o doutor Moosajee Bhamjee, ter dito que haveria um aumento de casos de suicídio e assassinato entre jovens se o governo não agir agora e fechar as headshops.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Acordou, olhou pro lado e viu namorada transando com estranho

"Não há palavras para descrever o choque", disse o irlandês que foi acordado pelo movimento da namorada e um estranho fazendo sexo ao lado dele na cama. O incidente ocorreu em 2008, num hotel, depois de uma festa de casamento. O estranho foi acusado de estupro e o julgamento começou na semana passada em Dublin.

No julgamento, o que acordou para o pesadelo assumiu que reagiu com violência ao choque "mais inacreditável" que já teve na vida. "Fiz o melhor que pude para infligir nele o máximo de dano." Ele disse também que a namorada gritou histericamente contra o estranho. No entanto, ele acabou aceitando a sugestão da defesa de que o primeiro soco possa ter sido dado "uma fração de segundo" antes de ela empurrar o invasor para fora da cama.

A matéria do Irish Times se encerra com um "o julgamento continua". (Aliás, matéria baseada no que foi ouvido e visto durante o julgamento é regra no noticiário policial daqui. No Brasil a gente sabe que não é assim. Por que, hein? Será por causa do jornalismo brasileiro, da justiça brasileira ou de ambos?)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Da importância de conhecer os vizinhos

Raramente saí das redondezas em janeiro. Quase não acompanhei o noticiário nacional. Vai então um assunto local, praticamente uma fofoca. Desde o Natal, quatro assassinatos foram cometidos em Dublin a mando de bandidos do bairro vizinho ao nosso. A polícia suspeita que uma única pessoa tenha cometido os crimes. Na segunda-feira, uma blitz na principal avenida do nosso bairro teve o reforço de um policial fortemente armado, o que não é normal. Mais tarde, o motorista da noite me contou que o autor das quatro execuções é um cara aqui do nosso bairro que faz parte da gangue do bairro vizinho. "Maluco, doido completo." É, aos poucos a gente vai sabendo quem é quem na vizinhança.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Irlandesa compra seu 23º Ford zero

Vinte e três carros zero. Todos da marca Ford e todos comprados na mesma revendedora. O primeiro em 1929 e o mais recente, um Focus, agora em 2010. Que paixão, que fidelidade, hein dona Eileen Lydon? A velhinha – 98 anos – garantiu que lembra até das placas de todos os 23 Fords. "Mas tenho que sentar para escrever os números." A história tá no Independent.ie.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Em busca das fotos perdidas

Depois de dois anos usando o celular mais reles do mercado, me dei de presente, com o cartão da Karlinha, um aparelho melhorzinho. A principal vantagem dele é que tem câmera. Durante o trabalho, passo a maior parte do tempo na rua. Muitas vezes aconteceu de eu topar com coisas que achei valessem fotos. Coisas normais, uma rua, uma pessoa, uma árvore, um carro. E coisas mais inusitadas, um cachorro andando de elevador, um motoqueiro com máscara anti-gás, uma noiva numa carruagem de vidro. Espero, agora, conseguir bater algumas dessas fotos que passaram pela minha cabeça. Hoje, primeiro dia com o brinquedo novo, bati 26 fotos. Eis algumas:







segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ministro das Finanças confirma que tem câncer

O ministro das Finanças Brian Lenihan disse nesta segunda-feira que se sente bem e não pretende se afastar do cargo ou reduzir a jornada de trabalho durante seu tratamento de câncer. O estado de saúde de Lenihan tem sido alvo de intensas especulações desde o dia 26 de dezembro quando o diagnóstico de câncer foi revelado pela mídia irlandesa.

Hoje, em seu primeiro pronunciamento depois da revelação, o ministro deu detalhes sobre a doença. Segundo ele, testes realizados pouco antes do Natal mostraram um bloqueio na entrada do pâncreas e nesse bloqueio foi encontrado tecido canceroso. Lenihan afirmou que o tratamento será iniciado ainda nesta semana.

No início de dezembro, com a aprovação do orçamento de 2010, um dos mais duros da história da Irlanda, Lenihan recebeu boa repercussão da mídia. Comentaristas políticos e econômicos o consideraram nome forte para o cargo de primeiro-ministro caso as medidas draconianas que elaborou dêem certo e ajudem o país a sair da crise.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Post estranho para começar o ano

Não trabalho desde quinta-feira, dia 24. Foi assim também no ano passado. O supermercado tem pouco movimento entre Natal e Revéillon. Lá fora as condições usuais prevaleceram durante quase toda a semana: vento idiota, chuva chata, frio desgraçado – o velhíssimo pacote que fez os antigos romanos chamarem a Irlanda de Hibérnia, a terra do inverno, a prova definitiva que o aquecimento global é balela.

Faz dois dias que o tempo mudou, parou a chuva, diminuiu o vento, aumentou o frio. Ontem, ou foi na madrugada de hoje?, nevou forte, o que não é comum em Dublin. Só nos demos conta da neve na hora de ir para cama, por volta das 2h, enquanto eu cumpria o ritual (mania, TOC) de verificar se as janelas e portas estavam fechadas.

Os estudantes do apartamento de cima estavam na rua batendo fotos e atirando bolas de neve quando saíamos para fazer o mesmo. Ao contrário do vento, da chuva e do frio, a neve para nós, e parece que para os nossos vizinhos também, ainda merece adjetivos tais como divertida, surpreendente, fotogênica. Na outra vez que nevou forte em Dublin, em fevereiro último, um polonês colega de trabalho me disse algo como "porcaria de tempo, hein?". Não duvido que ele tenha motivo para detestar neve.

Hum, estou começando o quarto parágrafo e nem sinal de notícias da Irlanda. A verdade é que olhei o Irish Times agora há pouco, mas nada me chamou a atenção. Daí peguei o primeiro parágrafo – que eu tinha escrito para um post não-publicado a respeito dos filmes assistidos nos últimos dias (Avatar e Hunger, que ficariam na parte de baixo da lista; Cidadão Kane, que pela quarta vez não consigo terminar de ver; O segredo de Berlim, The Good German, bom; e Papai Noel às Avessas, Bad Santa, o melhor de todos) – e toquei até aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Perigo e diversão no frio

Esses últimos dias antes do Natal estão sendo os mais gelados em décadas, de acordo com a Met Éireann, a agência de meteorologia da Irlanda. A previsão para hoje à noite, por exemplo, é de temperaturas mínimas de -8ºC, enquanto as máximas, em muitas partes do país, não devem passar de 0ºC. Precaução nas estradas é um dos assuntos mais abordados nas matérias sobre o frio.

Um dos principais perigos é o chamado black ice, uma fina camada de gelo sobre o asfalto que é difícil de ver. Hoje no trabalho a van saiu um pouco de lado em duas ocasiões em que não percebi o tal gelo negro na pista. Quando a camada de gelo sobre o asfalto é mais grossa, a pista fica branca e o motorista não é pego de surpresa. Daí fica até divertido fazer a van deslizar um pouquinho nas ruas tranquilas do bairro. Aliás, diversão no gelo é outro assunto comum nas matérias de frio.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Irlanda aperta o cinto e corta até salário-desemprego

O orçamento de 2010 é o assunto do momento. O governo apertou o cinto e anunciou cortes de 4 bilhões de euros nos gastos públicos, incluindo pontos sensíveis tais como o salário-desemprego, que passará de 204 euros para 196 euros por semana.

Por outro lado, também foi anunciada redução no imposto sobre bebidas alcoólicas. Há quem ache que isso irá aumentar ainda mais o nível de alcoolismo na Irlanda.

Outra possível medida a ser tomada é reduzir o salário mínimo, que hoje é de 8,65 euros por hora.

Já a notícia que o custo de vida caiu 6,5% nos últimos 12 meses foi amplamente bem recebida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Flamengo, Adriano e a repercussão do título na Irlanda

Perfeitamente normal que o interesse aqui na Irlanda pelo Campeonato Brasileiro seja quase nulo, mas achei estranho não ter encontrado sequer uma nota a respeito do título do Flamengo no Irish Times. Já o Irish Independent (os dois são os principais jornais do país) trouxe ontem uma matéria com foco na recuperação de Adriano. O título: Adriano canta a doce canção da redenção.

A matéria resume a atribulada carreira de Adriano, conta seus problemas com a bebida e até cita Garrincha ao dizer que não são raros no Brasil os casos de craques problemáticos. A impressão que se tem pelo texto é que Adriano ganhou o campeonato sozinho. Além de Adriano, há referências apenas aos técnicos Andrade, Cuca e José Mourinho.

Mas também, acho que seria difícil explicar que outro grande responsável pela conquista, provavelmente o craque do campeonato, é um jogador sérvio de 37 anos.

A parte final da matéria:
Ele terminou com 19 (gols), que o fizeram ser o artilheiro do campeonato e uma volta ao time nacional se seguiu. O Imperador está de volta ao trono. Com Adriano haverá provavelmente complicações de algum tipo - ele sumiu do clube durante algumas vezes na temporada - mas ele está a caminho da África do Sul.
Ps.: Testei a popularidade do Flamengo durante a semana passada e início desta com colegas de trabalho poloneses e irlandeses. Todos exceto um já tinham ouvido falar do time. "Ah, o Flamenco", disse um polonês. Ao único que nunca tinha ouvido falar do rubro-negro eu perguntei:
– Lembra do Zico?
– Sim, lembro.
– Pois é, ele era jogador do Flamengo.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Copa do Mundo pode perder uma das melhores torcidas do mundo

O primeiro tempo foi da Irlanda. O segundo da França. No geral, o empate seria o resultado mais justo. Mas os franceses tiveram mais sorte. Anelka marcou o gol da partida num chute que desviou na zaga e deixou o goleirão sem qualquer chance de defesa. A partida que decide a vaga ocorre na quarta-feira, em Paris.

Ao fim do jogo, o momento o mais bonito: jogadores irlandeses deram uma volta pelo gramado agradecendo o apoio da torcida. A festa no Croke Park durante o jogo foi realmente um espetáculo. Se a Irlanda não se classificar, a Copa do Mundo vai perder uma das melhores torcidas do mundo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

França é favorita na maior casa de apostas da Irlanda

Vai ser interessante acompanhar a disputa da Irlanda com a França por uma vaga na Copa do Mundo de 2010. O primeiro jogo, amanhã, às 20h, em Dublin, tem sido um dos assuntos da semana. No entanto, não senti um clima de decisão no ar semelhante (guardadas as proporções, claro) ao que acontece no Brasil em jogos decisivos da Seleção.

Na casa de apostas PaddyPower, por sinal, a França aparece como favorita para se classificar para a Copa. A casa paga 1,33 euros por cada um euro apostado no time de Benzema e Henry. Por outro lado, apostar 1 euro na Irlanda de Robbie Keane pode render 3,2 euros.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Gastos dos irlandeses no Natal e o resultado do nosso pré-natal

Feia a crise... Os irlandeses devem perder neste ano o posto de maiores gastadores do Natal entre os países da Europa, de acordo com uma pesquisa anual de consumo. Espera-se que cada família gaste em média 1.100 euros, 22% a menos do que no ano passado. Ainda assim o suficiente para deixar a Irlanda em segundo lugar, atrás de Luxemburgo.

As informações são do jornal gratuito Metro, que peguei hoje cedo pela manhã a caminho da maternidade onde a Karlinha faria o primeiro exame ultrassom da gravidez (o bebê está saudável e é uma menina).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Você ganha 600 mil euros para trabalhar apenas 11 horas

O apresentador de televisão e radialista Pat Kenny, um dos profissionais mais populares da mídia irlandesa, saiu-se bem de uma situação desconfortável na última segunda-feira, durante o programa Frontline, na rede pública RTE1. Um dos integrantes da audiência interrompeu a entrevista com a ministra de Assuntos Sociais Mary Hanafin para criticar o alto salário de Pat Kenny e o acusar de "hipócrita". "Você ganha 600 mil euros por ano para trabalhar apenas 11 horas por semana." O ataque verbal durou cerca de três minutos. Pat Kenny se manteve em silêncio durante todo o tempo e, quando o homem deixou o estúdio, arrancou risos da plateia ao dizer simplesmente "todos têm direito a voz".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A semelhança entre Berlim Oriental e a Dublin de 1989

Haveria semelhança entre Berlim Oriental e a Dublin do fim dos anos 80? Para a jornalista Ann Marie Hourihane, a resposta é sim e o ponto em comum era a pobreza e o consequente contraste em relação à rica Berlim Ocidental. Ann Marie estava em Berlim 20 anos atrás cobrindo a queda do muro para a tevê irlandesa na companhia de dois colegas, um produtor e um assistente de produção que falavam alemão. "Nada poderia ter nos preparado para a riqueza de Berlim Ocidental", escreveu ela em artigo publicado no Irish Times.

Um exemplo foi o encontro com a equipe de filmagem freelancer contratada em Berlim Ocidental: eles chegaram numa Mercedes-Benz e trajavam roupas caras. Por outro lado, áreas degradadas de Berlim Oriental não eram piores que algumas partes de Dublin. Mas a certeza que dublinenses e berlinenses orientais tinham algo em comum ocorreu durante o trabalho:
(...) Esse paralelo entre as duas cidades deve ter ficado evidente em nossas caras, porque uma coisa estranha aconteceu: outros jornalistas começaram a nos entrevistar. Eles pensaram que nós éramos de Berlim Oriental. O motivo poderia ter sido que o alemão falado pelos meus dois colegas era tão idiomático que os enganou. Mas não. Era apenas porque nós nos vestíamos como os berlinenses orientais. Nós estávamos com casacos de nylon, calças de jeans lavado e jaquetas de couro que eram o uniforme das pessoas que vinham do outro lado do muro. (...)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os muros de Belfast

Em nenhuma das vezes que estive em Belfast visitei uma de suas principais atrações turísticas: as Linhas da Paz, uma série de muros que separam comunidades unionistas (protestantes) e republicanas (católicos). Os primeiros muros foram construídos após o início dos sangrentos conflitos da década de 70. Eles existem em outras cidades da Irlanda do Norte, como Derry.

Mas é Belfast que concentra a maioria. Os muros da capital somam cinco quilômetros de extensão. A altura chega a sete metros e meio. A parte inferior é de tijolo, placas de concreto ou ferro. Uma tela de aço completa o design. Telas de aço também protegem os fundos de casas próximas. À noite, grandes portões controlados remotamente pela polícia são fechados e bloqueiam ruas entre comunidades vizinhas de unionistas e republicanos.

As informações são da wikipedia e de uma série de tevê sobre crime e violência na Irlanda e na Irlanda do Norte. As fotos são do www.boston.com/globe/nation/packages/good_friday/gallery3/01.htm, http://thevelvetrocket.com/2009/01/13/belfast-northern-ireland-bombs-and-bullets-tour e http://www.travelpod.com/travel-photo/wandergal/ireland2007/1188377940/belfast---the-wall.jpg/tpod.html